Desatenção e hiperatividade ao longo dos séculos

Desatenção e hiperatividade ao longo dos séculos

Apesar de o nome TDAH, como se conhece hoje, ser relativamente recente, a doença em si já é descrita e estudada há mais de dois séculos, desde 1798.1 Ao longo da história, as manifestações, sinais e sintomas que descrevem o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) já receberam diferentes nomes, conforme se aprofundava o conhecimento sobre a doença.

O TDAH também já esteve relacionado a problemas morais, deficiência e disfunção cerebral, entre outras características. Hoje, de acordo com a mais respeitada ferramenta de diagnóstico de doenças e transtornos mentais no mundo, o Manual de Estatística e Diagnóstico de Transtornos Mentais 5 (DSM-5), o TDAH engloba uma lista com 18 sintomas, sendo nove deles relacionados à desatenção; 6 à hiperatividade; e 3 à impulsividade.2 O DSM-5 foi desenvolvido pela Associação Americana de Psiquiatria e é adotado como ferramenta de diagnósticos de doenças neurológicas e neuropsiquiátricas em muitos países, inclusive no Brasil.2

Para o diagnóstico do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, entretanto, não basta a manifestação pontual e isolada de um ou dois sintomas descritos no DSM-5. Em crianças, é necessário que haja a manifestação de no mínimo 6 sintomas de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade; e em adultos no mínimo 5, para que aí possa ser feito o diagnóstico do TDAH, após a avaliação de outros critérios.2

CURIOSIDADE: conheça um pouco da história do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ao longo dos séculos!

Linha do tempo do TDAH:

  • 1798: em Londres, o médico Alexander Crichton fez a primeira caracterização do que seria o estado mental do TDAH, no subtipo desatento. Sua descrição incluiu características como inquietação e problemas de atenção, cujo início precoce teria potencial para impactar o desempenho escolar.1
  • 1902: o pai da pediatria britânica, Sir George Still, fez uma série de palestras e publicou um artigo na revista “The Lancet”, caracterizando o que ele chamou de “condições físicas anormais em crianças”. A publicação foi resultado da avaliação de 43 crianças com dificuldades graves para manter a atenção e o autocontrole, agressivas e resistentes à disciplina, entre outras características listadas pelo médico. Segundo seus estudos, essas crianças eram incapazes de aprender com as consequências de suas ações, embora não tivessem prejuízo intelectual. O médico caracterizou a doença como “defeito de controle moral”.3
  • 1947: o médico Alfred Strauss publicou um estudo sobre a função cerebral, fazendo uma conexão dos sintomas comportamentais e hiperativos das crianças à presença de danos cerebrais. O estudo foi chamado de “A organização mental da criança com lesão cerebral e deficiência mental”.4
  • 1966: mudança do nome “Criança com Lesão Cerebral e Deficiência Mental” para “Disfunção Cerebral Mínima”. Os sintomas descritos incluíam déficits de aprendizagem específicos, hipercinéticas, impulsividade e déficit de atenção.5
  • 1980: a terceira edição do DSM (DSM-3) propõe o nome de Transtorno do Déficit de Atenção, sendo classificado em 2 tipos: TDA com hiperatividade e TDA sem hiperatividade.6
  • 1986: David Woods publicou artigo que descrevia um sintoma que ele chamou de “Transtorno de Déficit de Atenção, Tipo Residual” – reconhecendo a permanência dos sintomas na fase adulta.7
  • 1987: o DSM-3-R reconhece, pela primeira vez, que os problemas comportamentais decorrentes do TDAH poderiam ter causas médicas, e não exclusivamente emocionais.8
  • 1994: DSM-4 classificou os sintomas em 3 categorias: desatento, hiperativo/impulsivo, combinado.9
  • 2013: de acordo com a quinta e mais recente versão do DSM o TDAH engloba uma lista com 18 sintomas, sendo nove deles relacionados à desatenção; 6 à hiperatividade; e 3 à impulsividade.1 Para o diagnóstico do TDAH em crianças é necessário que haja a manifestação de no mínimo 6 sintomas de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade; e em adultos no mínimo 5.1


Referências

1. Crichton, Alexander: An inquiry into the nature and origin of mental derangement: comprehending a concise system of the physiology and pathology of the human mind and a history of the passions and their effects. Vol I. London: printed for T. Cadell, Junior, and W. Davies, in the strand. 1798.
2. Site da Associação Brasileira de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Disponível em: http://www.tdah.org.br/br/artigos/textos/item/964-entenda-o-tdah-nos-crit%C3%A9rios-do-dsm-v.html. Último acesso em 13 de agosto de 2015.
3. Some abnormal psychical conditions in children: the Goulstonian lectures. The Lancet, 1902;1:1008-1012.
4. Site do The American Journal of Psychiatry. Disponível em: http://ajp.psychiatryonline.org/doi/abs/10.1176/ajp.97.5.1194. Último acesso em 9 de agosto de 2015.
5. Site PsiqWeb. Disponível em: http://www.psiqweb.med.br/site/DefaultLimpo.aspx?area=ES/VerDicionario&idZDicionario=254 . Último acesso em 14 de setembro de 2015.
6. American Psychiatric Association Committee on Nomenclature and Statistics: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders , ed 3. Washington, DC, American Psychiatric Association, 1980.
7. Woods, D. The diagnosis and treatment of Attention Deficit Disorder, Residual Type. Psychiatric Annals, 16(1): 23-28, 1986.
8. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Revised Third Edition . Washington, DC: American Psychiatric Association; 1987.
9. Site TDAH.net. Disponível em: http://www.tdah.net.br/dsm.html. Último acesso em 14 de setembro de 2015.

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