O que é TDAH

O que é TDAH

Antes de entender o que é o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, conhecido como TDAH, é fundamental ter sempre em perspectiva o fato de que nem toda criança, adolescente ou adulto que apresenta sinais de agitação (hiperatividade), desatenção e/ou impulsividade tem TDAH. Entre as crianças, por exemplo, de 5 a 8% têm TDAH,1 embora a maioria delas possa apresentar alguma dessas características em determinado momento – o que de forma alguma caracteriza o TDAH.

“Quebrar o preconceito em relação ao TDAH é fundamental pra aumentar a adesão ao tratamento do TDAH.”
Dr. Gustavo Teixeira, médico especialista em psiquiatria da infância e adolescência, professor visitante do Departamento de Educação Especial da Bridgewater State University (EUA) e editor-chefe do site www.comportamentoinfantil.com. CRM RJ 5273634-1

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é uma doença neuropsiquiátrica crônica, que se inicia na infância, mas que pode acompanhar o indivíduo ao longo de seu desenvolvimento.2 Muitos adolescentes e adultos deixam de manifestar os sintomas do TDAH naturalmente conforme se desenvolvem, mas cerca de 50% das pessoas com o transtorno continuam manifestando os sintomas do TDAH ao longo da vida adulta.3

A primeira descrição do TDAH ocorreu há mais de dois séculos, em 1798.4 De lá para cá, as pesquisas e o entendimento sobre o transtorno avançaram de forma significativa, bem como as possibilidades de qualidade de vida e inserção social das pessoas com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, em todas as fases da vida.

As causas do TDAH ainda não são completamente compreendidas. Porém, os estudos apontam para a necessidade de uma combinação de fatores ambientais, genéticos e biológicos para a manifestação do TDAH.5

Hoje, já se sabe que o TDAH compreende uma lista com 18 sintomas, sendo nove deles relacionados à desatenção; 6 à hiperatividade; e 3 à impulsividade.1 É fundamental reforçar que a manifestação de um ou de alguns desses sintomas isoladamente e de forma pontual não caracteriza o diagnóstico do TDAH. Por isso, é preciso que pais, educadores e os profissionais de saúde responsáveis pelo diagnóstico do TDAH tenham bastante clareza de que é normal que as crianças, por exemplo, sejam bastante ativas ou certas vezes desatentas, e que isso não significa de forma alguma que tenham o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

Para se ter ideia da complexidade do diagnóstico do TDAH em crianças, é necessário que haja a manifestação de no mínimo 6 sintomas de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade; e em adultos no mínimo 5. Só aí o médico passa a considerar o diagnóstico do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.1

O diagnóstico do TDAH é predominantemente clínico, ou seja, baseado na observação e relato dos sintomas pelo paciente – e, no caso de crianças e adolescentes, também pelo relato de seus pais. Os sintomas são avaliados pelo médico especializado de acordo com o Manual de Estatística e Diagnóstico de Transtornos Mentais (DSM-5), desenvolvido pela Associação Americana de Psiquiatria e utilizado no Brasil,1 bem como em inúmeros outros países.

“É importante ressaltar que o TDAH é um transtorno neurobiológico, que corre na família e tem um forte componente biológico e genético. Por isso, é muito comum em uma família que haja o diagnóstico de primos e tios, ou até que o ocorra diagnóstico de pais quando se está investigando a criança com TDAH.”
Dr. Gustavo Teixeira, médico especialista em psiquiatria da infância e adolescência, professor visitante do Departamento de Educação Especial da Bridgewater State University (EUA) e editor-chefe do site www.comportamentoinfantil.com. –CRM RJ 5273634-1

Mesmo com todo o conhecimento sobre o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade que já se tem hoje em dia, há ainda muitos mitos e desinformações relacionados ao transtorno, bem quanto à complexidade de seu diagnóstico e tratamento. Apesar disso, é importante ressaltar que com acesso a cuidados e tratamentos específicos, é perfeitamente possível que uma criança, adolescente ou adulto com TDAH tenha uma vida normal, sendo plenamente capaz de estudar, trabalhar, construir relacionamentos, etc.

Dessa forma, apesar dos desafios impostos pelo TDAH, os pacientes têm também talentos excepcionais e podem atingir grandes resultados com apoio e os recursos adequados.

acontece no cerebro com TDAH

O que acontece no cérebro de uma pessoa com TDAH?

É bastante intrigante para os cientistas que hoje estudam o TDAH as diferenças no funcionamento no cérebro de uma pessoa com TDAH e de uma pessoa sem o transtorno. Em 2007, pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH) descobriram e demonstraram por meio de imagens de ressonância magnética as diferenças existentes no desenvolvimento e no amadurecimento de algumas regiões do cérebro entre crianças com TDAH e outras sem o transtorno. Enquanto a região chamada córtex frontal se desenvolve de forma tardia, o córtex motor amadurece mais cedo do que o esperado. Entenda abaixo o que isso significa:6,7
 

  • Córtex frontal: é a região do cérebro responsável por funções como a retenção da atenção, memória, planejamento e inibição, entre outras. Nas crianças com TDAH, essa área do cérebro é aparentemente mais fina e amadurece de forma mais lenta do que o normal – podendo chegar a até três anos de “atraso”, em comparação com crianças sem TDAH. É importante ressaltar que, em alguns casos, o córtex frontal tornou-se mais espesso e amadureceu, passando a acompanhar o estágio de crescimento natural. Essa pode ser uma das razões pelas quais algumas crianças deixam de apresentar os sintomas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, naturalmente, conforme o desenvolvimento.6,7
  • Córtex motor: esta é a área do cérebro que controla os movimentos. No mesmo estudo, as imagens de ressonância magnética mostraram que nas crianças com TDAH o córtex motor cresce de forma muito mais acelerada do que nas crianças sem TDAH. Isso pode causar a movimentação excessiva de algumas crianças com TDAH, desde muito cedo.6,7

ressonância magnética TDAH

Imagens de ressonância magnética nas pesquisas sobre o TDAH

A importância das imagens de ressonância magnética para o avanço nas pesquisas sobre o TDAH é enorme. Por meio delas, foi possível provar e entender as alterações no cérebro das pessoas com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, tanto na infância quanto na adolescência e na vida adulta. O próximo passo para os pesquisadores é usar essas imagens para entender qual deve ser a melhor abordagem de tratamento para combater os sintomas do TDAH, de forma individualizada!3


Referências
1. Site da Associação Brasileira de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Disponível em
http://www.tdah.org.br/br/artigos/textos/item/964-entenda-o-tdah-nos-crit%C3%A9rios-do-dsm-v.html
. Último acesso em 13 de agosto de 2015.
2. Wilens et al, 2004.
3. Site do McGovern Institute for Brain Research, dot MIT. Disponível em
http://mcgovern.mit.edu/news/news/inside-the-adult-adhd-brain/
. Último acesso em 29 de agosto de 2015.
4. Crichton, Alexander: An inquiry into the nature and origin of mental derangement: comprehending a concise system of the physiology and pathology of the human mind and a history of the passions and their effects. Vol I. London: printed for T. Cadell, Junior, and W. Davies, in the strand. 1798.
5. Site da Mayo Clinic. Disponível em
http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/adhd/basics/causes/con-20023647
. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
6. Site do National Institutes of Mental Health. Disponível em http://www.nimh.nih.gov/news/science-news/2007/brain-matures-a-few-years-late-in-adhd-but-follows-normal-pattern.shtml. Último Acesso em 29 de agosto de 2015.
7. Site HealthLine. Disponível em http://www.healthline.com/health/adhd/the-brains-structure-and-function#1. Último acesso em 29 de agosto de 2015.

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